· Equipe Dr. Reversa · ESG  · 3 min read

CVM 193 e Gestão de Salvados: o que muda no seu relatório ESG em 2026

IFRS S1, IFRS S2 e o escopo 3 que a maioria das seguradoras ainda não mapeou. Como preparar o capítulo de destinação de salvados antes do próximo ciclo de auditoria.

IFRS S1, IFRS S2 e o escopo 3 que a maioria das seguradoras ainda não mapeou. Como preparar o capítulo de destinação de salvados antes do próximo ciclo de auditoria.

A Resolução CVM 193, publicada em 20 de outubro de 2023, tornou obrigatória a adoção dos padrões IFRS S1 (sustentabilidade) e IFRS S2 (clima) para companhias abertas brasileiras — com aplicação plena a partir do exercício 2026, sob aprovação dos auditores independentes.

Para seguradoras, o ponto cego que vem aparecendo em pré-auditorias dos Big Four é direto: destinação de salvados é escopo 3 das emissões e da pegada ambiental. E a maioria não tem dado rastreável.

O que IFRS S1 e S2 exigem (versão prática)

IFRS S1 (informações financeiras sobre sustentabilidade) pede divulgação de:

  • Riscos e oportunidades de sustentabilidade que afetam fluxo de caixa, acesso a financiamento ou custo de capital
  • Governança, estratégia e gestão desses riscos
  • Métricas e metas

IFRS S2 (clima) pede:

  • Emissões de gases de efeito estufa nos escopos 1, 2 e 3
  • Análise de cenários climáticos
  • Plano de transição

O escopo 3 — emissões indiretas da cadeia de valor — é onde a seguradora se complica. Inclui as emissões geradas pela destinação dos salvados que ela sub-roga.

Por que destinação de salvados entra no escopo 3

Quando a seguradora paga indenização e sub-roga nos salvados, ela passa a ser proprietária do bem. A destinação subsequente (incineração, aterro, reciclagem, doação, leilão) gera (ou evita) emissões — e essas emissões pertencem à cadeia de valor da seguradora.

Sem dado primário (MTR+CDF rastreado), a auditoria força a usar valores médios da indústria — sempre conservadores. Sem rastreabilidade, a seguradora declara mais emissão do que realmente gera. Isso piora o score ESG no relato.

O gap típico que aparece em pré-auditoria

Cinco perguntas que auditor faz e que 80% das seguradoras não conseguem responder com evidência:

  1. Volume total de salvados sub-rogados nos últimos 12 meses, por classe (química, eletrônica, alimento, têxtil, etc.)?
  2. % desse volume com CDF rastreado em sistema?
  3. Destinadores utilizados, com licença ambiental anexada?
  4. Tonelada de CO₂e evitada pela escolha de reciclagem vs. aterro?
  5. % do volume que foi para economia circular (reuso, recomercialização) vs. destruição?

Se a resposta a qualquer uma é “não sei” ou “depende do parceiro”, há gap de IFRS S1/S2.

O que fazer antes do próximo ciclo de auditoria

Trabalho de 90 dias, organizável em três frentes:

Dado primário — implementar campo obrigatório no sistema de sinistros para registro de MTR, CDF, destinador e tonelagem. Sem isso, não há relato auditável.

Política documentada — política interna de destinação aprovada pelo comitê ESG, com hierarquia clara: reuso > reciclagem > recuperação energética > aterro. Documenta a intenção exigida pela governança.

Métrica de transição — meta declarada de % de volume em economia circular nos próximos 3 anos. IFRS S2 exige plano de transição com metas — não basta diagnóstico.

O peso real disso no balanço

Em três frentes:

  • Custo de capital: Taxonomia Sustentável Brasileira (Res. CMN 5.144/2025) já liga score ESG a precificação de crédito. Spread esperado: 0,3-0,8% a.a.
  • Acesso a mercado institucional: fundos com mandato ESG (e os índices ISE B3, ICO2) excluem empresas com ressalva material em IFRS S2.
  • Risco reputacional: relato com ressalva vira manchete em uma seguradora top-10.

Próximo passo

A janela para implementação plena antes do exercício 2026 ainda existe — mas é curta. Um diagnóstico de gap leva 30 dias; implementação de processo, mais 60-90.

Fale com o time Dr. Reversa no WhatsApp para receber o template de capítulo ESG sobre destinação de salvados já alinhado com IFRS S1/S2 — uso interno gratuito para seguradoras participantes do diagnóstico.

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